As margaridas do campo*

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Tão comuns e tão belas, as margaridas do campo ocupam os espaços vazios do cerrado e de outros campos de nosso país, com suas cores múltiplas, seus amarelos, vermelhos, roxos, azuis e tantas outras. As margaridas do campo são pequeninas na sua individualidade e imensas no seu conjunto.

Em minha modesta opinião, um jardim selvagem de margaridas do campo tem muito mais beleza do que um jardim doméstico, projetado, plantado e cultivado em um magnífico quintal gramado. Pois este é fruto do planejamento, da organização, do poder do desejo sobre o natural. E aquele é fruto do poder da natureza sobre o poder do desejo, do poder da vida sobre o poder pelo poder.

Quantas vezes um quintal cheio de flores silvestres, grassado de plantas daninhas e flores selvagens, tem o dom de encantar, com seu silêncio primitivo, nossos olhos cansados do cotidiano? Quantas vezes um quintal de subúrbio ou de uma fazenda em um mundo cada vez mais distante nos lembra que a vida não é só a vida que vivemos? Que a vida é muito mais do que a correria do cotidiano, muito mais do que os parques urbanizados, podados, cortados, desenhados, cuidados e superficializados que nossos olhos alcançam todos os dias? Que a vida pode estar em um canto mal cuidado do universo, abandonado à própria sorte e, no entanto, cheio do viço e do vigor das seivas, caules, capins, flores sem regras, sem ordenamento, sem planejamento?

Então, aqui uma homenagem a todos os quintais, todos os recantos, todos os matos, todos os lugares onde as ervas, daninhas ou não, floridas ou não, com seus espantos e espaços preenchidos com os verdes de múltiplos tons do mundo natural, ainda resistem, persistem e existem.