"Sobre fotografia, com mais ou menos poesia".

 

Viagem sem fim

Paisagem

Quase todos já desejamos viajar em uma estrada sem fim, sob um céu azul que toca o horizonte lá na frente, ouvindo uma boa música e olhando para os lados para apreciar a paisagem. Mas ela passa sempre borrada, o que nos impele a só olhar adiante, a só desejar o porvir e a não ver o que está ao lado.

No dia a dia nós viajamos sobre o fio da navalha que é o cotidiano. E viajamos com uma naturalidade que, vista de fora, é espantosa. Como temos a capacidade de caminhar com tanta perícia sobre uma superfície tão fina, cortante e perigosa como um fio de navalha?

Talvez por isso desejamos viajar sempre em nossa estrada sem fim, tentando olhar a paisagem borrada. E essa viagem nos leva para frente, para o horizonte que se confunde com o céu. Assim passamos os dias, curvados sob o peso opressivo do cotidiano e, em alguns momentos, nos alegrando com as infinitas possibilidades que trazem os devaneios da viagem na estrada sem fim.

Enquanto avançamos sobre o caminho fino como o fio da navalha que é a realidade, alguma coisa nos impele a viajar pela estrada sem fim do sonho, em direção a um céu azul profundo mas com a paisagem sempre borrada, bem do nosso lado. Como deveríamos ter a capacidade de congelar essa paisagem borrada, como numa fotografia em alta velocidade!

O objetivo maior de quem fotografa o espaço em que vive, esse vasto ateliê de fotógrafo que é o mundo, é congelar a paisagem para permitir ao olhar um instante de perplexidade, de maravilhamento ou de horror. Um instante em que nos desviemos dos devaneios e sonhos com o futuro e enxerguemos, para o bem ou para o mal, o exato momento em que vivemos.

Workshop – Narrativas visuais na National Geographic Brasil

Workshop Joao Rosa

foto de Cecília Araújo

Minha apresentação do ensaio Cerrado em Cinzas durante a oficina sobre narrativas visuais na National Geographic Brasil, ministrada pelo fotógrafo João Marcos Rosa e realizada no último final de semana na WA Imagem, em Goiânia.

Contar uma história em fotografias não é simples e foi por isso que João Rosa veio até nós para transmitir seu conhecimento e experiência sobre o tema. Turma aplicada e resultados muito bons.

Perfeitamente assimétrico

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O exercício prazeroso de fotografar com filme.

Sem idoso ou idosa na janela, sem criança sentada nos degraus, sem cachorro passeando pela calçada. Sem clichês, em resumo.

Só a imagem de uma ruína que certamente já foi um sonho.

Santa Cruz de Goiás, junho de 2015, filme 120.

A regra de ouro

Falando um pouquinho sobre fotografia de paisagens: nela, mais do que em qualquer outro tipo de fotografia, o fotógrafo tem que saber transmitir para o observador toda a beleza e emoção que sentiu ao contemplar o objeto da foto. Para isso, as decisões sobre a composição são muito importantes. Uma composição rigorosa valoriza a fotografia e pode ser o diferencial entre uma imagem comum e uma imagem excelente.

Dentre as regras de composição, a dos terços é a mais fácil de ser usada e quase nunca erra na potencialização da imagem. A fotografia abaixo foi dividida em três partes iguais no sentido vertical, colocando um terço na terra e dois terços no céu, uma vez que este é o responsável pelo maior impacto visual na composição. Aplicação pura e simples da regra dos terços.

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Na regra de ouro, oriunda do mundo grego como número áureo, razão de ouro, razão áurea, divina proporção ou proporção áurea, a base é um número irracional representado pela letra grega Φ (fi), que surge numa infinidade de elementos da natureza sob a forma de uma razão.

Como os gregos perceberam isso para aplicação nas pinturas e na arquitetura, tornando as obras de arte muito mais agradáveis de se ver, herdamos esta razão que pode e deve ser usada na fotografia. Para nosso propósito, ela pode ser simplificada do seguinte modo: o lado maior é igual ao lado menor multiplicado pelo número de ouro, que é 1,618. Explicar como se chegou a esse valor não é nossa intenção e qualquer literatura matemática pode ser consultada para sua melhor compreensão.

Se uma imagem ficar com a porção maior aproximadamente igual ao resultado da multiplicação da porção menor por 1,618, teremos a aplicação da proporção dourada, que difere sutil mas elegantemente da regra dos terços.

 

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A fotografia acima foi feita utilizando a proporção dourada, ficando a porção de solo (e água) igual à porção do céu multiplicada por 1,618 (aproximadamente).

O número de ouro é usado em diversos outros tipos de composição, como a espiral dourada, por exemplo. A aplicação clássica mais conhecida em arquitetura da razão dourada é a do Parthenon Grego, construído entre 447 e 433 a.C., que usa a razão de ouro no retângulo que contém a fachada.

 

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Usá-la ou à regra dos terços vai depender de como o resultado final agrada ao fotógrafo e mais se aproxima de seu objetivo.