Memórias: boiadeiros do cerrado 104 paginas, 40 fotos e ilustrações, 21x21, capa semi-dura, Ed ICBC, 2010   Parque das Emas, no coração do cerrado 196 paginas, 103 fotos, 21x28, capa dura e sobrecapa, Ed Fotomemoria, 2018 português/inglês

Memórias: boiadeiros do cerrado
104 paginas, 40 fotos e ilustrações, 21x21, capa semi-dura
Ed ICBC, 2010

 

Parque das Emas, no coração do cerrado
196 paginas, 103 fotos, 21x28, capa dura e sobrecapa
Ed Fotomemoria, 2018, 
português/inglês


O objetivo do Projeto Cerrado é preservar a memória de sua fauna, sua flora, sua paisagem e seus habitantes, através da produção de livros sobre o bioma, mostrando com imagens, entrevistas, relatos e experiências vividas e contadas, pedaços do cerrado e sua história, através de seus personagens, seus narradores e sua integração com a paisagem, com o propósito de fazer com que sejam conhecidos, compartilhados e divulgados.

Quatro livros, em princípio, compõem o projeto. Destes, dois já nasceram: o primeiro, "Memórias: boiadeiros do cerrado", editado pelo ICBC de Goiânia, em 2010, com mais de 40 fotografias e ilustrações, um mapa das rotas boiadeiras do século XX e entrevistas com antigos boiadeiros dos sertões de Goiás, do qual ainda existem poucas unidades à venda aqui no site; o segundo, "Parque das Emas, no coração do cerrado", com mais de 100 fotografias coloridas e preto e branco da paisagem, da flora e da fauna do Parque - o mais completo e preservado território do bioma - o primeiro livro de fotografias sobre o Parque produzido no mundo, também à venda aqui no site. Um terceiro está em produção, "Águas do Cerrado", com apoio da Prefeitura de Mineiros, Goiás, com conclusão prevista para o início de 2019, que destaca por meio de imagens e textos a importância das nascentes do bioma, que abastecem a maioria das grandes bacias hidrográficas do Brasil. Já o projeto do livro "Cerradeiros, o homem e o meio", em gestação, pretende explorar e mostrar ocupações humanas antigas do Goiás profundo e sua relação com o bioma. Todos os livros do Projeto Cerrado são construídos com narrativa imagética e textual, com foco na natureza e na história da relação humana com o meio.

Segundo maior bioma do país, toda essa imensidão de terra e de águas, de riqueza biológica única, encontra-se em franco processo de extinção, ameaçada pela produção humana sem controle. Desprotegido pela Constituição Federal de 1988, o bioma Cerrado não foi contemplado como Patrimônio Nacional, ficando indefeso quanto às condições que assegurem a preservação do meio ambiente e do uso dos seus recursos naturais. Como conseqüência, as chamadas Savana Arbórea Aberta, Savana Parque e Savana Gramíneo-Lenhosa, típicas de chapadões, praticamente não existem mais. As únicas áreas que sobrevivem precariamente são as florestas de galerias e matas ciliares, que acompanham o curso dos rios e constituem áreas de preservação permanente, e a chamada Savana Arbórea Densa (o cerradão), que normalmente vivifica em regiões de topografia mais acidentada, ainda imunes à tecnologia das máquinas agrícolas. Mesmo assim essas áreas são atacadas pelos carvoeiros, geralmente clandestinos, que devastam os cerradões para fornecimento de lenha a siderúrgicas.

Este projeto é fruto de uma lenta construção. Nasceu em 1978, a partir da convivência com o cerrado, quando conheci os chapadões de Goiás e o Parque das Emas, em meu trabalho como cartógrafo, mas também começou em 2006, quando, após um longo período afastado da fotografia, iniciei a investir seriamente em formação teórica e em equipamentos. Já eram os tempos digitais e minha velha câmera de filme com poucas objetivas, usadas até então com comedimento, começou a ser lentamente substituída pela agilidade e domínio completo do processo fotográfico que os tempos modernos permitiram.

A visão dos campos limpos e do cerrado strictu sensu é causa de maravilhamento que até hoje me acompanha: quase meio século depois do primeiro contato, ainda me emociono quando encontro uma rara área remanescente, mesmo após anos e anos de exploração comercial do agronegocio.

Preservar sua memória, em defesa da natureza e das pessoas que nele vivem e dele dependem, é o minimo que podemos fazer por esse lugar de antigos ermos e grandes espaços, onde céu e terra se tocam em plena harmonia em um horizonte que parece estar sempre ao alcance das mãos.