"Sobre fotografia, com mais ou menos poesia".

 

A regra de ouro

Falando um pouquinho sobre fotografia de paisagens: nela, mais do que em qualquer outro tipo de fotografia, o fotógrafo tem que saber transmitir para o observador toda a beleza e emoção que sentiu ao contemplar o objeto da foto. Para isso, as decisões sobre a composição são muito importantes. Uma composição rigorosa valoriza a fotografia e pode ser o diferencial entre uma imagem comum e uma imagem excelente.

Dentre as regras de composição, a dos terços é a mais fácil de ser usada e quase nunca erra na potencialização da imagem. A fotografia abaixo foi dividida em três partes iguais no sentido vertical, colocando um terço na terra e dois terços no céu, uma vez que este é o responsável pelo maior impacto visual na composição. Aplicação pura e simples da regra dos terços.

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Na regra de ouro, oriunda do mundo grego como número áureo, razão de ouro, razão áurea, divina proporção ou proporção áurea, a base é um número irracional representado pela letra grega Φ (fi), que surge numa infinidade de elementos da natureza sob a forma de uma razão.

Como os gregos perceberam isso para aplicação nas pinturas e na arquitetura, tornando as obras de arte muito mais agradáveis de se ver, herdamos esta razão que pode e deve ser usada na fotografia. Para nosso propósito, ela pode ser simplificada do seguinte modo: o lado maior é igual ao lado menor multiplicado pelo número de ouro, que é 1,618. Explicar como se chegou a esse valor não é nossa intenção e qualquer literatura matemática pode ser consultada para sua melhor compreensão.

Se uma imagem ficar com a porção maior aproximadamente igual ao resultado da multiplicação da porção menor por 1,618, teremos a aplicação da proporção dourada, que difere sutil mas elegantemente da regra dos terços.

 

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A fotografia acima foi feita utilizando a proporção dourada, ficando a porção de solo (e água) igual à porção do céu multiplicada por 1,618 (aproximadamente).

O número de ouro é usado em diversos outros tipos de composição, como a espiral dourada, por exemplo. A aplicação clássica mais conhecida em arquitetura da razão dourada é a do Parthenon Grego, construído entre 447 e 433 a.C., que usa a razão de ouro no retângulo que contém a fachada.

 

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Usá-la ou à regra dos terços vai depender de como o resultado final agrada ao fotógrafo e mais se aproxima de seu objetivo.

Tempo das queimadas

Está chegando o tempo das queimadas no centro-oeste.

Cinza é a cor dos campos do Planalto Central entre julho e setembro. Cinza da fumaça das queimadas, da poeira levantada após a terra colhida, do céu azul obliterado pela secura do ar, pelo vento que circula sem a proteção natural das árvores do cerrado, derrubadas para o plantio da soja, do milho, do algodão …

 

Queimadas

 

De acordo com Aziz Ab’Sáber, em Os Domínios de Natureza no Brasil – Potencialidades Paisagísticas, “Os domínios dos chapadões recobertos por cerrados e penetrados por florestas galerias – de diversas composições – constitui-se em um espaço físico ecológico e biótico, de primeira ordem de grandeza, possuindo de 1,7 a 1,9 milhões de quilômetros quadrados de extensão”.

Segundo maior bioma do país, toda essa imensidão de terra e riqueza biológica única encontra-se em franco processo de extinção, ameaçada pela produção agrícola sem controle. Desprotegido pela Constituição Federal, o bioma Cerrado não é contemplado como Patrimônio Nacional, ficando indefeso e sem condições eficazes que assegurem a preservação do meio ambiente e do uso dos recursos naturais.

Como conseqüência, a chamada Savana Arbórea Aberta, a Savana Parque e a Savana Gramíneo-Lenhosa, típicas de chapadões, praticamente não existem mais. As únicas áreas que sobrevivem precariamente são as florestas de galerias e matas ciliares, que acompanham o curso dos rios e constituem áreas de preservação permanente, e a chamada Savana Arbórea Densa (o cerradão), que normalmente vivifica em regiões de topografia mais acidentada ainda imunes à tecnologia das máquinas agrícolas.

 

Animal morto

 

O desrespeito às leis de proteção ambiental e a precária fiscalização são tão gritantes, que os 20% de Reserva Legal obrigatórios para qualquer propriedade rural são freqüentemente desprezados, tangendo para as rodovias, para os campos lavrados e para os chamados cerradões, espécimes em extinção, sujeitando-as à superpopulação em pequenos espaços e aos atropelamentos e acidentes nas movimentadas estradas que cortam o Planalto.

Não se trata de proibir a produção. Não se trata de impedir que o plantio e colheita cumpram seu papel, desde que de maneira responsável. Trata-se de exigir o cumprimento da lei da reserva legal, de denunciar o descaso governamental em relação ao cerrado e de procurar reverter esse quadro.

Nhundiaquara

O rio Nhundiaquara em Morretes, Paraná, fotografado com uma Fuji X10 4:3 de 12Mp, em dia de chuva.

DxO FilmPack simulando Kodak Elite, Iso 200, Cross processed.

 

Nhundiaquara

A passagem do tempo

A fotografia além da arte: a memória, o registro, a passagem do tempo.

Bruder fez dois anos. E aí está ele com dois meses, em 2013, e agora com 2 anos.

 

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Fotografia de natureza

Uma entrevista com Frans Lanting, fotógrafo da National Geographic, sobre o estado da arte da fotografia de natureza. Lanting fotografou com filme e hoje utiliza intensivamente os recursos digitais.

A extraordinária importância da fotografia de natureza no cenário mundial contrasta com o baixo interesse e mesmo desprezo demonstrado pela mídia e pelos mais conhecidos meios da fotografia no Brasil por esse tipo de trabalho. Aqui predominam a fotografia de eventos (casamento, principalmente), o retrato, a publicidade com todas as suas subdivisões – moda, comida, arquitetura etc – e, lá embaixo, o fotojornalismo e a fotografia urbana, mais ou menos nessa ordem hierárquica. Paisagem e natureza parecem coisas menores.

Temos fotógrafos de natureza brasileiros premiados em nível internacional e os meios de comunicação não dão a mínima importância, com raras exceções.

Ler a entrevista com Lanting reforça a esperança no tipo de fotografia que, mais do que documental, nos mostra a beleza do mundo, divulga a luta pela preservação ambiental e restaura a esperança – às vezes perdida – de que a Terra possa ser um planeta melhor para todos.

 

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foto de Frans Lanting, Outdoor Photographer

http://www.outdoorphotographer.com/locations/north-america/the-state-of-our-art.html#.VTYnW6ZZ2uk